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Abastecimento: o caminho da água até a sua torneira – Parte II: Sistema Rio das Velhas

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Ele era conhecido pelos índios como Uaimií e pelos bandeirantes como Guaicuí. Em tupi-guarani, “gwaimi” quer dizer “velha” e, tanto em Guaicuí como em Uaimií, o “i” final significa “rio”. Daí o nome do rio que já foi uma das principais vias do Ciclo do Ouro. O Rio das Velhas pode ter sido o caminho original da descoberta do metal precioso em Minas Gerais, por onde os exploradores vindo do Nordeste ao longo das margens do rio São Francisco chegaram aos grandes veios de ouro em Sabará.

Ele tem sua origem em nascentes localizadas na região da Cachoeira das Andorinhas, município de Ouro Preto (MG). Com 801 km de extensão, o Rio das Velhas é o maior afluente em extensão do São Francisco, desaguando neste em Barra do Guaicuí, no município de Várzea da Palma. A população da Bacia do Rio das Velhas, estimada em 4.406.190 habitantes (IBGE, 2000), está distribuída nos 51 municípios cortados pelo rio e seus afluentes.

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Suas outrora caudalosas e navegáveis águas hoje não têm tanto volume e força, mas não menor importância para o abastecimento hídrico das cidades por onde passa e da região metropolitana de Belo Horizonte.

O sistema Rio das Velhas, que carrega o nome desse importante rio, é o principal manancial da cidade de Belo Horizonte. Ele começou  operar no início da década de 1970 e, atualmente, abastece cerca de 2,2 milhões de habitantes na RMBH, aproximadamente 62% da população de Belo horizonte e 97% da cidade de Sabará. Mais de 2,4 milhões de pessoas são atendidas por suas águas.

Em 2014 e 2015, o Sistema Rio das Velhas sofreu um duro impacto com a estiagem. A crise hídrica, que afetou todo o país, também o afetou severamente e o abastecimento de água de Belo Horizonte chegou a consumir quase 85% de sua vazão nos períodos mais críticos.

Passado de glórias, presente de riscos, esperança para o futuro

Percorrendo seu caminho, o Rio das Velhas é impactado por uma grande quantidade de esgoto proveniente do Ribeirão Arrudas e o Ribeirão do Onça, que atravessam a capital.

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A drástica diminuição das matas ciliares, erosão e outros processos degradantes fizeram com que o Rio das Velhas passasse a ser conhecido como um rio de águas avermelhadas (em grande parte devido à presença de minério de ferro no solo da região), barrentas e poluídas. Praticamente não há vida nas águas do rio ao longo do trecho que passa pela região metropolitana de Belo Horizonte.

Em 1997, por iniciativa de professores da Faculdade de Medicina da UFMG engajados no Projeto Manuelzão, foi iniciado um programa para trazer de volta à vida a bacia do Rio das Velhas, que vem trazendo importantes resultados através de ações de conscientização das comunidades, do estabelecimento de políticas públicas municipais e estaduais, e particularmente com controles mais rigorosos para os emissores de poluição instalados ao longo da bacia.

Concluímos com este artigo esta pequena série sobre os sistemas de abastecimento de água de Belo Horizonte e região metropolitana no momento em que é anunciada a “bandeira amarela” nas cobranças de taxas de fornecimento de energia elétrica pelas concessionárias, medida adotada, mais uma vez, sob a justificativa da “crise hídrica”. Os sistemas Paraopeba e Rio das Velhas, objetos dos dois artigos da série “O caminho da água até a sua torneira”, são vitais não só para o abastecimento, mas interferem na produção e vida de comunidades, fauna e flora ao longo dos milhares de quilômetros de seus cursos. São elementos ativos de nossa história que remontam nosso passado, são vitais para nosso presente e imprescindíveis para nosso futuro. Conhecê-los é também preservá-los.

Fontes: Copasa, FIEMG, reportagens do Jornal Estado de Minas de 2014, 2015 e 2016, http://cbhvelhas.org.br/a-bacia-hidrografica-do-rio-das-velhas/

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